Resumo rápido: A carbonatação do concreto ocorre quando o dióxido de carbono reage com o cimento, reduzindo o pH e comprometendo a proteção da armadura. Esse processo favorece a corrosão do aço, diminui a durabilidade das estruturas e acelera manifestações patológicas.
A carbonatação do concreto é um dos fenômenos mais relevantes quando se trata da durabilidade das estruturas de concreto armado. Embora ocorra de forma lenta e silenciosa, esse processo químico pode comprometer seriamente a proteção da armadura, reduzindo a vida útil da estrutura e aumentando o risco de patologias graves.
Compreender o que é isso, como ele se desenvolve no concreto e de que forma provoca a despassivação da armadura, é essencial para engenheiros, técnicos, estudantes e profissionais da construção civil.
O que é carbonatação do concreto?
É um processo químico no qual o dióxido de carbono presente no ar penetra nos poros do concreto e reage com os compostos alcalinos da matriz cimentícia.
Então, essa reação provoca a redução do pH do concreto ao longo do tempo, alterando sua capacidade de proteger a armadura de aço. Embora seja um fenômeno natural, representa um dos principais mecanismos de deterioração das estruturas de concreto armado.
Na prática, ocorre de forma lenta e progressiva, muitas vezes sem sinais visíveis nas fases iniciais. Assim, o problema se agrava quando a frente de carbonatação alcança a armadura, criando condições favoráveis para a corrosão do aço.

Como ocorre o processo de carbonatação no concreto?
O processo ocorre a partir da difusão do dióxido de carbono pelos poros e microfissuras do material. Esse fenômeno depende diretamente da permeabilidade do concreto e das condições ambientais. Quanto mais fácil for a entrada do CO₂, mais rápido será o avanço da carbonatação.
Esse processo não acontece de maneira uniforme. Desse modo, ele forma uma frente que avança gradualmente da superfície para o interior do elemento estrutural, podendo levar anos ou décadas para atingir a armadura.
Como acontece a penetração do dióxido de carbono no concreto?
A penetração do dióxido de carbono ocorre por difusão gasosa através dos poros interconectados do concreto.
Dessa forma, concretos mais porosos ou mal adensados permitem maior circulação de gases, facilitando esse processo. Fissuras e falhas de execução também aceleram a entrada do CO₂.
Além disso, a presença de umidade influencia diretamente a difusão. Um teor intermediário de umidade favorece a dissolução do CO₂, tornando o processo mais eficiente.
Quais fatores influenciam a velocidade da carbonatação?
Diversos fatores influenciam a velocidade, incluindo a qualidade do concreto, o tipo de cimento e as condições ambientais. Assim, ambientes urbanos e industriais, por exemplo, costumam apresentar maior concentração de CO₂.
Outro fator relevante é a espessura do cobrimento da armadura. Cobrimentos reduzidos permitem que a frente de carbonatação atinja o aço em menos tempo, aumentando o risco de corrosão.
O que é despassivação por carbonatação da armadura?
A despassivação por carbonatação da armadura ocorre quando a redução do pH elimina a camada protetora do aço. Esse fenômeno marca uma mudança crítica no comportamento da estrutura. Assim, a partir desse ponto, a armadura deixa de estar quimicamente protegida.
Esse processo não significa corrosão imediata, mas cria as condições ideais para que ela se inicie. Então, a presença de umidade e oxigênio completa o cenário necessário para o avanço da deterioração.
O que é a camada passivadora do aço no concreto?
A camada passivadora é uma película microscópica que se forma na superfície do aço em ambientes altamente alcalinos. Portanto, ela impede a troca de elétrons necessária para a corrosão. Essa proteção é estável enquanto o pH se mantém elevado.
Essa camada é um dos principais motivos pelos quais o concreto armado é um material durável. Sua perda representa um ponto de inflexão na vida útil da estrutura.

Como identificar a carbonatação do concreto na prática?
A identificação é realizada por meio de ensaios simples e eficazes. O mais conhecido é o ensaio com solução de fenolftaleína. Esse método permite visualizar a profundidade da frente de carbonatação.
Esse diagnóstico é essencial para avaliar o risco à armadura e planejar intervenções adequadas. Portanto, ele fornece informações diretas sobre o estado químico do concreto.
Como funciona o ensaio de carbonatação com fenolftaleína?
O ensaio consiste na aplicação de uma solução de fenolftaleína sobre uma superfície recém-fraturada do concreto. Assim, regiões com pH elevado adquirem coloração rosa, enquanto áreas carbonatadas permanecem incolores.
Esse contraste visual permite medir a profundidade da carbonatação de forma prática. É um método amplamente utilizado em inspeções técnicas.
Como interpretar os resultados do ensaio?
A interpretação envolve comparar a profundidade carbonatada com o cobrimento da armadura. Então, se a frente de carbonatação estiver próxima ou já tiver alcançado o aço, o risco de corrosão é elevado.
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Os livros disponíveis abordam desde os fundamentos químicos e físicos do concreto até métodos de diagnóstico, prevenção e manutenção estrutural, permitindo uma compreensão sólida e aplicada do tema.
O que mais saber sobre carbonatação do concreto?
Veja outras dúvidas sobre o tema.
A carbonatação do concreto é inevitável ao longo do tempo?
É um processo natural que tende a ocorrer ao longo da vida útil do concreto, pois depende da interação com o dióxido de carbono presente no ar. No entanto, sua velocidade pode ser significativamente reduzida com projeto adequado, boa execução e manutenção preventiva.
A carbonatação sempre leva à corrosão da armadura?
Ela por si só não causa a corrosão, mas cria as condições necessárias para que ela ocorra. Ao reduzir o pH do concreto, o processo elimina a camada passivadora que protege o aço, permitindo que a corrosão se inicie na presença de umidade e oxigênio.
O ensaio com fenolftaleína é suficiente para avaliar a carbonatação?
O ensaio com fenolftaleína é uma ferramenta prática e amplamente utilizada para identificar a profundidade disso. No entanto, ele deve ser interpretado dentro de um contexto técnico mais amplo, considerando idade da estrutura, ambiente e cobrimento da armadura.
Estruturas internas também sofrem carbonatação?
Mesmo estruturas internas podem sofrer com isso, embora em velocidade geralmente menor. A presença de dióxido de carbono no ambiente interno e condições de ventilação influenciam diretamente esse processo.
A carbonatação pode ser revertida após atingir a armadura?
Ela não pode ser revertida de forma natural. Após atingir a armadura, são necessárias intervenções técnicas, como reparos localizados, proteção do aço e recomposição do concreto, para interromper a progressão dos danos.
Resumo desse artigo sobre carbonatação
- A carbonatação é um processo químico que reduz o pH do concreto;
- Esse fenômeno compromete a proteção da armadura de aço;
- A despassivação por carbonatação cria condições para a corrosão;
- O ensaio com fenolftaleína permite identificar a profundidade carbonatada;
- Medidas preventivas e manutenção aumentam a durabilidade do concreto armado.



