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Meio Ambiente e Rec. Hídricos

Por que há tantas áreas degradadas para restaurar?

junho 19, 2023
5 min de leitura

Existem muitos tipos de áreas degradadas para restaurar, e muitas são as atividades que podem gerar degradação

Em termos de extensão territorial, seja no Brasil ou em outros países, a agricultura sempre foi e continua sendo a principal atividade geradora de áreas degradadas.

Portanto, é importante compreender a relação existente entre o surgimento de áreas degradadas e o contínuo processo de expansão da fronteira agrícola no território brasileiro, pois, além de recuperar áreas já degradadas, é preciso também impedir ou reduzir o surgimento de novas áreas degradadas.

Foto de extensa área recém-desmatada para a produção de soja no Pará, com o solo marrom e restos de vegetação. Áreas degradadas dessa forma são prioridade para restaurar.

Extensa área recém‑desmatada para a produção de soja no Pará. (Imagem retirada do livro Restauração Florestal. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos)

Falta de planejamento agrícola e ambiental

No Brasil, a falta de planejamento agrícola e ambiental na abertura de novas áreas agrícolas levou e ainda leva ao desmatamento irregular das áreas protegidas na legislação ambiental e ao desmatamento desnecessário de áreas de baixa aptidão agrícola, que possuem reduzido retorno produtivo, econômico e social.

Em virtude disso, propriedades rurais recém‑estabelecidas em fronteiras de expansão agrícola já nascem passíveis de autuações legais e apresentam trechos de baixa produtividade em estágio avançado de degradação, sem que se obtenham vantagens econômicas que justifiquem a ocupação dessas áreas.

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Como consequência, essas terras se degradam e passam a perder muito rapidamente sua viabilidade econômica, como aconteceu e ainda acontece na maior parte da área desmatada na Amazônia em solos arenosos ou na Mata Atlântica em solos muito declivosos, que, quando despidos de sua vegetação nativa, passam a sustentar apenas uma agricultura ou pecuária de baixa produtividade, com baixo rendimento para o produtor rural e prejuízos consideráveis para a sociedade.

Foto de fazenda de pecuária extensiva no sul da Bahia, com áreas de vegetação e áreas de terra. Palmeiras ao fundo.

Fazenda de pecuária extensiva no sul da Bahia onde se verifica má condução do pasto. A manutenção de um número excessivo de cabeças de gado por área e a inadequada conservação do solo estão levando ao desaparecimento da pastagem e a um intenso processo de perda de solo. (Imagem retirada do livro Restauração Florestal. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos)

Práticas agrícolas mal-empregadas

No entanto, mesmo áreas de alta aptidão agrícola podem seguir se degradando quando as práticas de conservação de solos, já amplamente conhecidas, não estão sendo devidamente empregadas em razão de uma deliberada opção pela maximização do lucro obtido em curto prazo.

Essa degradação gradual dos solos agrícolas não tecnificados ou de baixa aptidão acaba por inviabilizar economicamente essas terras, levando parte dos agricultores a migrar para outras regiões, desmatar novas áreas e expandir a fronteira do desmatamento, deixando no rastro dessa migração muitas áreas degradadas abandonadas ou ocupadas por atividades de baixa produtividade, onde se agravam os problemas ambientais e sociais.

Montanha com gramado e árvores ao fundo.
Montanhas com vegetação na frente.

Exemplos de propriedades rurais em que o manejo inadequado do solo na condução de pastagens (A) e de culturas agrícolas (B) resultou em danos ambientais de grande magnitude

No Brasil, esse sistema de uso do solo ocorre desde a época das Sesmarias, em que as terras cedidas a nobres portugueses eram exploradas intensivamente até serem exauridas e, depois de abandonadas, novas terras cobertas por florestas nativas eram cedidas a essas pessoas para terem esse mesmo destino.

Até hoje, o sistema predominante de conversão de florestas nativas para usos alternativos do solo, principalmente para a pecuária, continua sendo o uso do fogo, que não permite planejamento agrícola e ambiental, condicionando essas propriedades a um enorme passivo ambiental desde o seu surgimento.

Foi esse ciclo perverso que criou e continua a criar áreas degradadas e improdutivas, que levam o agricultor a migrar de uma região para outra, empurrando mais e mais as fronteiras agrícolas para áreas distantes e sem infraestrutura, que acabam por agravar a destruição da vegetação natural ainda existente.

Restaurar áreas degradadas e impedir o avanço de fronteiras agrícolas

Portanto, tão importante quanto restaurar áreas já degradadas é atuar para impedir que a expansão da fronteira agrícola continue a ser feita como nos últimos séculos, queimando‑se indiscriminadamente toda a vegetação natural presente na propriedade sem nenhum critério de zoneamento agrícola e ambiental.

Por outro lado, já há uma imensidão de áreas degradadas em todas as regiões do Brasil, inclusive nascentes e margens de rios, à espera de ações efetivas de restauração, com métodos ecologicamente eficazes, tecnicamente corretos e economicamente viáveis.

É evidente que uma postura mais efetiva de governos, empresas e proprietários rurais para a restauração de ecossistemas degradados é urgentemente necessária no Brasil e no mundo para enfrentar os desafios impostos pelo crescimento da população e da economia, ambos extremamente dependentes de um capital natural que vem se esgotando rapidamente e que, se não protegido e restaurado, pode inviabilizar o crescimento econômico e o bem‑estar social nos próximos anos.


Para saber mais

Um verdadeiro manual de restauração, em prol do avanço em quantidade e qualidade da restauração florestal no Brasil, Restauração Florestal apresenta conceitos sobre métodos de restauração, ecossistemas de referência, diagnósticos e zoneamento, avaliação, monitoramento, produção de sementes e mudas e geração de renda pela restauração florestal em larga escala.

Confira a degustação da obra aqui.

Capa do livro “Restauração florestal”, publicação da Editora Oficina de Textos

Capa do livro “Restauração florestal”, publicação da Editora Oficina de Textos

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