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Agronomia

Você sabe classificar espécies nativas por seus frutos e sementes?

novembro 6, 2023
5 min de leitura

Aprenda a diferenciar espécies nativas a partir de suas principais características com o guia ilustrado Sementes e mudas v. 2.

As espécies nativas apresentam diferentes tipos de frutos, os quais são determinados ao longo da evolução das espécies pelo desenvolvimento de uma estratégia de dispersão de sementes. Considerando o processo de beneficiamento, os frutos se dividem essencialmente em frutos carnosos (revestidos por polpa suculenta que serve de alimento para os animais que promovem sua dispersão) e frutos secos (que não apresentam polpa ou possuem polpa seca, não carnosa, que também auxilia na dispersão).

Por sua vez, os frutos secos são classificados em deiscentes (que se abrem sozinhos, liberando ou expondo as sementes ao meio) e indeiscentes (que não se abrem sozinhos, mantendo as sementes em seu interior). Os frutos secos deiscentes podem possuir sementes:

i) com asas (sementes aladas), plumas ou outras estruturas que favorecem a dispersão pelo vento (dispersão anemocórica);

ii) com arilo, que é um tecido aderido à semente que serve de alimento para animais dispersores, como aves, morcegos, mamíferos terrestres e formigas (dispersão zoocórica);

iii) completamente lisas, sem nenhuma estrutura associada à dispersão por um agente externo, como o vento, a água ou animais, de forma que a dispersão ocorre apenas por meio da gravidade (dispersão autocórica), podendo os frutos se abrir de forma gradual ou explosiva, lançando as sementes para um pouco mais longe da planta matriz.

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Os frutos secos indeiscentes podem:

i) apresentar polpa seca, no geral farinácea, constituída por tecidos nutritivos que servem de alimento para animais dispersores (dispersão zoocórica);

ii) não apresentar polpa, mas sim asas ou outras estruturas morfológicas que permitam a dispersão pelo vento (dispersão anemocórica).

A polpa seca pode revestir o fruto (polpa externa), fazendo com que o fruto inteiro seja ingerido ou manipulado por animais, ou estar localizada no interior do fruto (polpa interna), exigindo no geral que o animal dispersor quebre a casca do fruto para que possa acessar sua polpa.

Classificação dos tipos principais de frutos e sementes encontrados em espécies arbóreas nativas em relação ao processo de beneficiamento (Tabela retirada do livro Sementes e mudas v. 2, Ed. Oficina de Textos. Todos os direitos reservados)

Além dos fatores relacionados à dispersão, as sementes também podem ser classificadas em relação à tolerância à perda de água, sendo agrupadas em três tipos principais: recalcitrantes, intermediárias e ortodoxas.

As sementes recalcitrantes se caracterizam por possuir alto teor de água (normalmente acima de 40%), não tolerando a secagem ou exposição a ambientes frios, próximos do ponto de congelamento. Como não é possível armazenar sementes úmidas, que se deterioram rapidamente em função da elevada taxa de respiração ou pela ação de pragas e patógenos, esse tipo de semente não pode ser armazenado por longos períodos. Como as sementes recalcitrantes não podem ser secas, elas são sempre encontradas em frutos carnosos ou frutos secos deiscentes com sementes revestidas por arilo, que as protegem da perda d’água.

Já as sementes ortodoxas apresentam comportamento oposto, caracterizando-se por possuir baixos teores de água quando dispersas (abaixo de 15%), tolerar a secagem e baixas temperaturas. Dessa forma, podem ser armazenadas com sucesso, por longos períodos, em ambientes com baixa temperatura e reduzida umidade relativa do ar. As sementes ortodoxas podem ser encontradas em qualquer tipo de fruto.

Por sua vez, como o próprio nome diz, as sementes intermediárias apresentam comportamento fisiológico situado entre os extremos representados pelas sementes ortodoxas e recalcitrantes, com teor de água, no geral, entre 20% e 30%, o que as torna mais tolerantes à secagem e permite seu armazenamento por períodos maiores em comparação com as recalcitrantes, mas inferiores em relação às ortodoxas.

É importante ressaltar que essas classificações são criadas pelo homem para facilitar o entendimento e o manejo das sementes, mas que dentro de cada um desses grupos existe grande variação de comportamento, havendo desde sementes altamente recalcitrantes, que não podem ser armazenadas por mais de uma semana, como as dos ingás, até sementes recalcitrantes menos sensíveis, como as de algumas palmeiras, que podem ser armazenadas por alguns meses. No geral, quanto mais rápida é a germinação da espécie com semente recalcitrante, mais vulnerável ela é ao armazenamento.

Outra característica importante para a produção de sementes é a dormência, que é conceituada como o fenômeno no qual um ou mais mecanismos de bloqueio restringem a germinação da semente. Esse bloqueio pode se dar pela restrição à entrada de água e gases no tegumento da semente, caracterizando uma dormência física (tegumento impermeável), ou pela presença de substâncias inibidoras da germinação (dormência fisiológica), na qual as sementes não germinam mesmo estando umedecidas. No geral, são necessários estímulos externos, como a incidência de luz em certos comprimentos de onda ou a alternância de temperatura, para que o balanço entre substâncias promotoras e inibidoras da germinação seja equilibrado.


Para saber mais

Debruce na classificação de espécies com o guia Sementes e mudas v. 2: guia para propagação de árvores brasileiras! Com mais de 200 árvores nativas inéditas em relação ao primeiro volume, o livro é indispensável para profissionais envolvidos no cultivo de espécies autóctones para paisagismo, recuperação de áreas degradadas, produção de madeira e frutos.

Confira a degustação da obra aqui.

Capa do livro “Sementes e mudas: guia para propagação de árvores brasileiras - Vol. 2”, publicação da Editora Oficina de Textos

Capa do livro “Sementes e mudas: guia para propagação de árvores brasileiras – Vol. 2”, publicação da Editora Oficina de Textos

árvores espécies nativas sementes e mudas

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