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Engenharia Civil

RCC e RCD: existe diferença?

2 meses atrás
11 min de leitura

A literatura que trata da geração e da gestão de resíduos da construção civil costuma utilizar duas siglas para tratar desse assunto: RCC e RCD. O que comumente se discute acerca disso é se há de fato alguma diferença entre as duas nomenclaturas. 

Neste artigo abordaremos esse tema, a fim de esclarecer, de uma vez por todas, se realmente existe diferença entre RCC e RCD. Confira!

O que é RCD e por que a sigla faz diferença?

O RCD, Resíduo de Construção e Demolição, é a designação mais adequada para englobar todo o material descartado em obras e reformas. Essa nomenclatura segue padrões internacionais e ajuda a padronizar procedimentos técnicos e legais no Brasil. 

Ao definir corretamente o termo, evita-se confusão com outros tipos de resíduos e facilita a implementação de políticas públicas e práticas sustentáveis. 

Em projetos de engenharia e arquitetura, o uso da sigla correta também impacta relatórios técnicos e processos de licenciamento. 

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Profissionais alinhados à terminologia oficial conseguem comunicar de forma clara e ganhar credibilidade em seus trabalhos.

Por que adotar o termo RCD é relevante:

  • segue padrões internacionais de nomenclatura;
  • facilita a aplicação de normas e leis;
  • melhora a comunicação técnica;
  • evita confusão com outros resíduos;
  • fortalece a imagem profissional e institucional.

Como o termo RCD se alinha à nomenclatura internacional?

O termo RCD acompanha padrões utilizados por órgãos ambientais e entidades técnicas ao redor do mundo. 

Países que possuem programas avançados de reciclagem de resíduos de construção, de fato, adotam essa nomenclatura para padronizar relatórios e pesquisas. 

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Isso, portanto, permite que dados de diferentes regiões sejam comparados e utilizados em estudos globais. No Brasil, essa harmonização facilita parcerias internacionais e acesso a tecnologias inovadoras.

O que diz a legislação brasileira sobre RCD conforme a CONAMA 307/02?

A Resolução CONAMA 307/02 define RCD como resíduos provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras, incluindo preparação e escavação de terrenos. 

A norma estabelece diretrizes para a gestão e destinação adequada desses materiais. Ela também determina a responsabilidade compartilhada entre geradores, transportadores e receptores. O descumprimento das regras pode resultar em multas e outras sanções.

Montagem de entulho com pedaços de tijolos, concreto e placas, resultado de obras e demolições.
Legalmente, o RCC refere-se aos resíduos oriundos de construções civis

Qual a origem dos termos RCC e RCD e por que são usados como sinônimos? 

A sigla RCC, Resíduo da Construção Civil, foi popularizada no Brasil antes da atualização da terminologia para RCD. Ambas descrevem resíduos semelhantes, mas a abrangência do termo RCD é mais precisa, incluindo materiais provenientes de demolição. 

Em contextos informais, muitos profissionais ainda usam as duas expressões como sinônimos. Entretanto, adotar o termo correto evita divergências técnicas e jurídicas. Essa mudança reflete a evolução das práticas e do entendimento sobre gestão de resíduos.

O que define o conceito legal de RCC na Resolução CONAMA 307/02?

Legalmente, o RCC refere-se aos resíduos oriundos de construções civis, sem especificar demolições ou escavações. Essa definição, embora útil, se mostrou limitada frente às demandas ambientais. 

A atualização para RCD trouxe mais clareza e alinhamento com práticas sustentáveis. Essa diferença conceitual influencia desde a elaboração de projetos até a destinação final do material.

Quando e por que o termo RCD passou a ser adotado no Brasil?

A adoção do termo RCD ocorreu gradualmente após a publicação da CONAMA 307/02, que trouxe um escopo mais abrangente. Assim, a necessidade de padronização para fins técnicos e legais acelerou essa transição. 

Programas de reciclagem e gestão ambiental começaram a priorizar a terminologia mais precisa. Hoje, portanto, manuais técnicos e documentos oficiais já utilizam amplamente o termo RCD.

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RCC e RCD são o mesmo?

Antes de começarmos a explicar se há diferença entre as siglas RCC e RCD, é necessário definir cada uma das nomenclaturas na engenharia civil.

De acordo com André Nagalli, engenheiro, professor e autor do livro Aspectos quantitativos da geração de resíduos da construção civil, “os RCC remetem a resíduos de construção civil nos termos da legislação federal e estão definidos pela Resolução Conama 307/02”. 

Essa resolução define os resíduos de construção civil como aqueles “provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como, por exemplo:

  • tijolos;
  • blocos cerâmicos;
  • concreto em geral;
  • solos;
  • rochas;
  • metais;
  • resinas;
  • colas;
  • tintas;
  • madeiras e compensados;
  • forros;
  • argamassa;
  • gesso;
  • telhas;
  • pavimento asfáltico;
  • vidros;
  • plásticos;
  • tubulações;
  • fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha”.

O professor ainda aponta o fato de “que o conceito remete à origem de geração dos resíduos, o setor da construção civil”. 

Já o termo RCD, segundo Nagalli, trata-se da tradução literal da sigla CDW, correspondente a construction and demolition waste, comumente utilizada na literatura internacional para designar o resíduo de construção e demolição. 

Assim, de acordo com a explicação do autor, os termos RCC e RCD são, de modo geral, utilizados como sinônimos, ou seja, não há diferença entre as duas nomenclaturas.

Como o uso de RCD em pavimentação traz benefícios econômicos e sustentáveis?

A utilização de RCD em pavimentação permite reduzir custos e promover a sustentabilidade no setor de infraestrutura. 

Ao reciclar e reaproveitar materiais, diminui-se a demanda por insumos naturais e o volume de resíduos de construção civil enviados a aterros. Esse processo também contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa associadas à extração e transporte de matérias-primas. 

Em muitas cidades, obras de pavimentação já incorporam RCD com sucesso, mantendo qualidade e durabilidade.

Os benefícios comprovados do uso de RCD em pavimentação são, por exemplo:

  • redução de custos de materiais;
  • diminuição do volume de resíduos em aterros;
  • preservação de recursos naturais;
  • menor emissão de gases poluentes;
  • incentivo à economia circular no setor da construção.

Quais evidências técnicas apoiam o uso de RCD em pavimentação urbana?

Pesquisas acadêmicas e testes de campo comprovam que o RCD, quando corretamente processado, de fato, mantém desempenho mecânico adequado. Ensaios mostram boa resistência e durabilidade em camadas de base e sub-base de pavimentos. 

Além disso, o uso do material reciclado é regulamentado por normas técnicas, o que garante sua aplicação segura. Essa prática também valoriza a imagem da obra perante a comunidade.

Quais ganhos ambientais e econômicos já foram documentados? 

Estudos indicam que municípios que adotaram o RCD em obras públicas reduziram significativamente seus custos com insumos. Ambientalmente, a reciclagem de resíduos de construção e demolição evita a degradação de áreas de extração e prolonga a vida útil de aterros. 

Empresas que utilizam RCD também relatam melhorias em sua reputação e, além disso, maior aceitação por órgãos fiscalizadores.

Escavadeiras industriais movimentando pilha de sucata metálica para reciclagem sob céu azul.
A presença de impurezas pode comprometer a qualidade e a segurança da obra.

O que é importante considerar ao aplicar RCD em pavimentação?

Antes de aplicar RCD em pavimentação, então, é necessário garantir que o material esteja devidamente triado e processado. 

A presença de impurezas pode comprometer a qualidade e a segurança da obra. Além disso, é fundamental seguir especificações técnicas para assegurar a durabilidade do pavimento. 

A escolha do fornecedor e a certificação do material, sem dúvida, também são etapas críticas. Obras bem-sucedidas mostram que o controle de qualidade é determinante para o resultado.

Quais são os requisitos técnicos para garantir performance e segurança?

Entre os requisitos, destacam-se a a granulometria controlada, bem como, a ausência de contaminantes e compactação adequada. A umidade e a composição do material devem estar dentro dos limites normativos. 

É recomendável realizar testes laboratoriais antes da aplicação. Já que esses cuidados evitam problemas estruturais e garantem a conformidade legal da obra.

Quais desafios ainda existem, como heterogeneidade ou normatização?

O principal desafio é a heterogeneidade dos resíduos, que pode afetar a qualidade final do pavimento. Assim, a falta de infraestrutura para triagem e processamento também limita o uso mais amplo do RCD. 

Além disso, a padronização de normas ainda é um processo em evolução, exigindo atualização constante por parte dos profissionais.

O que é RCD na construção civil?

RCD na construção civil significa Resíduos da Construção e Demolição, ou seja, todo o material gerado durante:

  • obras;
  • reformas;
  • demolições;
  • escavações. 

Esses resíduos podem incluir concreto, tijolos, madeira, metais, plásticos e solos. Eles representam uma das maiores parcelas do lixo urbano no Brasil e exigem manejo adequado para reduzir impactos ambientais e otimizar recursos. 

Entender o que é RCD é o primeiro passo para construir de forma mais sustentável e responsável.

Além disso, o RCD é classificado como um dos principais desafios da engenharia moderna, pois sua gestão envolve aspectos técnicos, legais e ambientais. 

O descarte incorreto pode causar danos ao solo, poluição da água e até entupimento de sistemas de drenagem. 

Por outro lado, quando corretamente gerenciado, esse material pode ser reciclado e reintegrado à cadeia produtiva, promovendo economia circular.

Quais são os tipos de RCD?

Os resíduos da construção e demolição são classificados em quatro grupos principais, conforme a Resolução CONAMA nº 307, que orienta seu gerenciamento. Essa classificação é essencial para definir o destino adequado de cada tipo de resíduo.

Entre as principais categorias estão:

  • classe A: resíduos reutilizáveis ou recicláveis, como concreto, tijolos, argamassa e solos;
  • classe B: resíduos recicláveis para outros fins, como plásticos, metais, papel, vidro e madeira;
  • classe C: materiais sem tecnologia de reciclagem viável, como lã de vidro e gesso;
  • classe D: resíduos perigosos, como tintas, solventes, amianto e outros contaminantes.

Por que o RCD é um problema crescente nas cidades?

O volume de resíduos da construção cresce proporcionalmente ao avanço urbano. Nas grandes cidades, é comum ver entulho descartado irregularmente em terrenos baldios e vias públicas. Esse comportamento gera degradação visual e danos ambientais. 

A falta de políticas de fiscalização e conscientização agrava o problema, comprometendo a qualidade de vida e o equilíbrio ecológico.

Qual a relação entre RCD e sustentabilidade urbana?

A gestão correta do RCD é um pilar fundamental da sustentabilidade urbana. Reutilizar e reciclar materiais reduz a extração de recursos naturais e o consumo de energia na produção de novos insumos. 

Assim, cada tonelada de concreto reaproveitado evita emissões de CO₂ e diminui a sobrecarga em aterros sanitários. Quando incorporado a políticas públicas, o manejo do RCD transforma resíduos em oportunidades.

Como os resíduos de construção e demolição são gerados?

Os resíduos de construção e demolição (RCD) surgem em praticamente todas as etapas de uma obra. Eles resultam de sobras, quebras, cortes e demolições inevitáveis durante a execução. 

Reformas, bem como, ampliações e obras públicas são fontes constantes de entulho, que precisa de destinação ambientalmente adequada.

Durante a fase de construção, o desperdício de materiais e o descarte incorreto ainda são práticas comuns. Muitas vezes, o excesso de compra, falhas de armazenamento ou retrabalho geram grandes volumes de RCD. 

Já nas demolições, o problema se amplia, pois o desmonte de estruturas antigas gera toneladas de resíduos que, se bem geridos, podem voltar ao ciclo produtivo como agregados reciclados.

Quais materiais mais geram resíduos nas obras?

O concreto é o principal componente do RCD, seguido por tijolos, cerâmicas, madeira e metais. Esses materiais representam cerca de 80% do volume total de resíduos de obras no país. 

O desperdício desses recursos significa perda econômica e impacto ambiental significativo. Além do concreto e da argamassa, outros resíduos merecem destaque, como, por exemplo:

  • madeiras de escoras e fôrmas, muitas vezes inutilizadas após o uso;
  • restos de gesso, que ainda têm destinação limitada;
  • metais e plásticos, que podem ser facilmente reciclados se separados corretamente.

Como o planejamento pode reduzir a geração de RCD?

Planejar a obra desde o início é a forma mais eficaz de evitar desperdício. Projetos bem elaborados consideram a quantidade exata de materiais, definem áreas de armazenamento e preveem a segregação de resíduos no canteiro. 

Com isso, então, é possível reduzir custos e impactos ambientais, além de cumprir as exigências legais de sustentabilidade.

Qual livro ler sobre o RCC?

André Nagalli é autor das obras Aspectos quantitativos da geração de resíduos da construção civil e Resíduos de construção civil: quantificação e gerenciamento, ambas publicadas pela Editora Oficina de Textos.

Capa do livro “Aspectos quantitativos da geração de resíduos da construção civil”, publicação da Editora Oficina de Textos

Capa do livro “Aspectos quantitativos da geração de resíduos da construção civil”, publicação da Editora Oficina de Textos

Capa do livro “Resíduos de construção civil - 2ª ed.”, publicação da Editora Oficina de Textos

Capa do livro “Resíduos de construção civil – 2ª ed.”, publicação da Editora Oficina de Textos

Resumo desse artigo sobre RCD 

  • O RCD é a designação mais adequada e alinhada a padrões internacionais;
  • A CONAMA 307/02 define diretrizes para gestão e destinação dos resíduos;
  • O uso de RCD em pavimentação reduz custos e promove sustentabilidade;
  • A aplicação requer triagem, controle e atendimento a normas técnicas;
  • Desafios como heterogeneidade e normatização ainda precisam ser superados.
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