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Engenharia CivilGeotecnologias

A arte de conter taludes

3 meses atrás
5 min de leitura

Como evoluíram as contenções?

O caminho para Machu Picchu

Por volta de 1420, no início do século XV, os caminhos andinos passaram a contar com escavações reforçadas por muros de arrimo de pedras apiloadas. Chama a atenção o cuidado de drenagem, com a remoção ordenada de pedras da face do muro, para o escoamento das águas de chuva.

Já sabiam que a falta de drenagem ocasionaria a ruptura e escorregamento do talude retido pelo murro de arrimo.

Machu Pichu

A técnica sensata da criação de plataformas para cultivo e para caminhos de transporte e locomoção nas íngremes encostas, prática corrente no Império Inca.

A estabilidade dessas estruturas de contenção foi e continua favorecida pelas pouco espessas capas de solo que as íngremes encostas sustentam. Consequentemente, a rocha mais próxima à superfície reduz a chance de a água de chuva carrear partículas de solo.

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Onde a capa de solo é mais espessa, a chuva causa saturação, perda de resistência ao cisalhamento e escorregamentos, como na Rodovia dos Tamoios em São Paulo. Em contraste, no caminho até Machu Picchu, há escorregamentos pontuais de solo e blocos de rocha.

Linha de defesa: conceito

O Prof. Arthur Casagrande foi um grande geotécnico e brilhante acadêmico em Harvard, que ajudou a consolidar a engenharia geotécnica. Ele foi consultor no Brasil para o complexo hidroelétrico Urubupungá, composto pelas barragens de Jupiá e Ilha Solteira, no rio Paraná.

Para o Prof. Casagrande, toda obra geotécnica deveria ter duas linhas de defesa contra a água: vedação a montante e drenagem a jusante.

  • A primeira linha de defesa consiste na vedação, para impedir a entrada da água na obra de terra;
  • Já a segunda linha de defesa recolhe a água que ultrapassa a barreira inicial com um sistema de drenagem dimensionado para isso.

Ele também propôs um critério de filtro. Assim, a água que chega ao sistema de drenagem não carrega partículas de solo e não causa erosão interna.

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Por isso, esses princípios são fundamentais no projeto de contenções. A água é, em geral, a principal responsável pelo mau desempenho ou até pela ruptura.

Quais são os tipos de contenções?

Hoje, os principais esquemas de contenção incluem várias alternativas e materiais, mas todos se agrupam em categorias.

  • Muros de arrimo que podem ser tipo gravidade. De pequena altura, opõem-se ao empuxo da terra com seu peso próprio;
Muros de arrimo

Muro gravidade

Muro gravidade

Muro gravidade de alvenaria de pedras assentadas

A estabilidade de um muro gravidade deve passar pela verificação de quatro condições, ilustradas a seguir: deslizamento pelo contato com a fundação, tombamento, capacidade de carga e a estabilidade global.

Estabilidade de muros de arrimo

Estabilidade de muros de arrimo: (A) deslizamento; (B) tombamento; (C) capacidade de carga e (D) estabilidade global.

  • Muros de flexão, em geral de concreto armado, em formato de L. Sendo assim, eles resistem ao empuxo da terra por flexão, mobilizando também o solo sob a laje;
Muro de flexão
Muro de flexão, seção transversal em L.
  • Cortina atirantada. Formada por uma parede de concreto armado em painéis, o empuxo é resistido mediante tirantes ancorados para dentro do maciço, em comprimento devidamente dimensionado.
Tirantes, cortinada atirantada
Seção transversal de uma cortina atirantada.

Os tirantes podem ser barras de aço ou tirantes de fios de cordoalha. Questões-chave dizem respeito ao dimensionamento do bulbo de ancoragem e à manutenção da tensão na ancoragem.

  • Muro de solo reforçado é formado por solo compactado com a intercalação de reforços geossintéticos, geogrelhas, junto ao maciço a ser contido.
Muro de solo reforçado
Zona reforçada e trecho não reforçado em um muro de solo reforçado.

No livro Contenções: teoria e aplicações em obras 2ª edição, além dos dimensionamentos e cuidados construtivos, apresenta-se um exemplo de planilha de custos completa para orçar uma cortina atirantada. Clique aqui para ver a degustação do livro. Clique aqui, para o sumário.

Capa do livro Contenções

Recomendações para a elaboração do projeto de cortina atirantada

Para o projeto de uma cortina atirantada, a NBR 5629:2018 traz recomendações a serem seguidas. Ainda assim, o livro enfatiza:

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  • A NBR 5629, ABNT 2018, preconiza que o bulbo deve distar pelo menos 3 m da superfície de início da perfuração. Em razão dessa recomendação, muitos projetistas adotam comprimentos maiores que 3 m.
  • Pinelo (1980) recomenda que o espaçamento entre bulbos deve ser maior que 1 m e maior que seis vezes o diâmetro da perfuração.
  • O início do bulbo deve distar pelo menos 0,15 H da superfície crítica, sendo H a altura da contenção.
  • O recobrimento de terra, em geral, deve ter pelo menos 5 m sobre o centro do trecho de ancoragem.
  • O bulbo deve distar pelo menos pelo menos 3 m da cota de fundação de outras edificações.
  • É prudente que o painel intercepte toda a camada de colúvio (com tendência ao rastejo) ou se garanta que não haja possibilidade desta camada se movimentar.
Recomendação da distância do bulbo até a fundação
Recomendação da distância do bulbo até a fundação. Baseado em Ostermayer (1977).

Outras referências:

Para projetar e construir contenções, recomenda-se consultar:

Mais sobre cortinas atirantadas: livro Metodologia de execução de contenção em cortinas atirantadas e casos de obras, autores: Luiz Antônio Naresi Júnior e Antônio Geraldo da Silva

Capa do livro Metodologia de execução

Para reforço e filtros com geossintéticos: livro Geossintéticos em geotecnia e meio ambiente, autor: Ennio Marques Palmeira.

Capa do livro geossintéticos para reforço e filtros
construção civil contenções geotecnia impactos ambientais Meio Ambiente muros de arrimo taludes

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