O mercado de avaliação e perícia técnica

“Mercado de avaliação e perícia técnica nunca fica desaquecido”, afirma Simone Feigelson.

O mercado de avaliação e perícia técnica de engenharia faz parte do seleto rol de setores que foram pouco impactados com a crise econômica trazida pela pandemia de Covid-19. Na realidade, tem sido dessa forma há pelo menos 40 anos. Simone Feigelson, professora na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), afirmou à equipe de comunicação da editora Oficina de Textos que o mercado “nunca está desaquecido”

Arquiteta e doutora em engenharia civil, Simone apresentou no dia 03/08 de 2022 o webinar “O Mercado de Avaliação Imobiliária” promovido pela Oficina de Textos. Também trabalhou em parceria com o engenheiro civil Salvador Bailuni na revisão e atualização da obra Engenharia legal de avaliações, de autoria de Sérgio Antonio Abunahman. A 5ª edição da obra, considerada referência no segmento, foi lançada em 2022 também pela Oficina de Textos.

A professora ressalta que, mesmo em períodos de crise econômica, como a que veio com a pandemia, ainda há demandas por negociações entre locadores e locatários de imóveis comerciais que requerem avaliações técnicas. “Além dos trabalhos anuais, como verificação de patrimônio, questões de herança e verificação de imposto de IPTU, para citar alguns exemplos.”, completa Simone.

Ventos favoráveis para o mercado de avaliações, por outro lado, acontecem em momentos como o atual, quando é alta a procura de imóveis para compra e venda. “Já em relação às perícias técnicas judiciais, esse nicho, sim, sofreu mudanças com o passar do tempo”, lembra Feigelson.

Nas décadas de 1970 e 1980, ações judiciais relacionadas à locação de imóveis eram muito mais comuns. Havia discrepância, segundo ela, nos valores de locação pagos pelos locatários, que muitas vezes estavam muito abaixo dos valores de mercado. Nesses casos, peritos técnicos eram frequentemente convocados para fazer essas apurações em juízo.

Isso mudou com o surgimento da Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245, de 1991), responsável por estabelecer regras na relação entre locadores e locatários. Com isso, diminuíram também os pleitos judiciais e a demanda por perícias técnicas de engenharia. “Mas em termos de compra e venda, revisão de valor de locação, de transferência de propriedade e verificação do patrimônio, há sempre procura por avaliação”, garante a professora.

Engenharia Diagnóstica

Além das avaliações técnicas de bens, outro nicho relacionado às perícias é o de Engenharia Diagnóstica.

Nessa área trabalha-se em perícias ligadas a obras irregulares, perícias ordinárias em que se verificam infiltrações ou patologias em construções, obras que foram entregues de forma indevida, dentre outras frentes”, explica Simone.

Outro ramo possível de atuação são as perícias ambientais na área de engenharia e arquitetura. “Normalmente são perícias multidisciplinares, muito diferentes e que requerem conhecimento específico vasto. São perícias muito complexas em que se atua em equipe”, conta.

A importância das normas técnicas

Entre as diversas normas técnicas cujo estudo é necessário para atuar no mercado de avaliações e perícias de engenharia, Feigelson destaca duas: a NBR nº 14.653 – Avaliação de Bens, e a NBR nº 13.752 – Perícias de Engenharia na Construção Civil, que atualmente está em revisão. 

NBR nº 14.653, dividida em sete partes, apresenta diretrizes para avaliações técnicas em imóveis urbanos, imóveis rurais, empreendimentos, máquinas e equipamentos, patrimônios históricos, entre outros pontos. 

Já a NBR nº 13.752 oferece as diretrizes e procedimentos relativos às perícias de engenharia na construção civil. “Esta é uma Norma de 1998 que está sendo revisada há três anos”, salienta Feigelson. Ela faz parte da comissão que está revisando a Norma. “A nova versão deve ser publicada no início de 2023 e virá muito bem detalhada, especialmente no tocante à engenharia diagnóstica. Será outro documento fundamental para o trabalho do avaliador.” 

Especialização constante

O mercado de avaliações e perícias técnicas pode ser atraente para engenheiros civis e arquitetos interessados em trabalhar no ramo. Mas o domínio das normas técnicas, da legislação vigente e a especialização constante são imprescindíveis para se alcançar sucesso na carreira.

Infelizmente, o mercado conta hoje com profissionais mal qualificados, que ingressam na atividade sem terem se dedicado suficientemente aos estudos”, destaca Feigelson. “É preciso ter profundo domínio das Normas Técnicas, das metodologias e permanecer estudando os temas do mercado para se tornar um profissional de alto nível”.

Engenharia legal e de avaliações: lançamento da Oficina de Textos

Em parceria com o engenheiro civil o engenheiro civil Salvador Bailuni, Simone Feigelson foi responsável pela revisão e atualização da 5ª edição do livro Engenharia legal e de avaliações, de autoria de Sérgio Antonio Abunahman.

Considerada obra de referência no segmento, a 5ª edição do livro foi lançado pela mesma Editora em 2022 em homenagem a Abunamahn, um dos principais especialistas em Engenharia Legal do Brasil, falecido em 2021.

O livro é considerado uma espécie de ‘bíblia’ para engenheiros, arquitetos e profissionais interessados em estudar e praticar a avaliação técnica de imóveis.

Confira a degustação da obra aqui.

Capa do livro "Engenharia legal e de avaliações - 5ª ed.", publicação da Editora Oficina de Textos.

Capa do livro “Engenharia legal e de avaliações – 5ª ed.”, publicação da Editora Oficina de Textos

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