Valores, bens e serviços de praias e dunas

Praias e dunas possuem seu próprio valor intrínseco, mas também fornecem muitos bens e serviços que beneficiam direta e indiretamente o homem.

Nem todos os bens e serviços podem ser fornecidos em um mesmo segmento litorâneo, mesmo em sistemas naturais, mas a maioria pode ser acessível regionalmente, desde que haja espaço suficiente e variedade na exposição a processos costeiros e tipos de sedimentos.

Talvez não seja possível usufruir de todos os bens e serviços, mesmo quando tal potencial exista. A mineração e diversas formas de atividade recreativa podem ser incompatíveis com o uso de praias para nichos de reprodução.

Tabela contendo os seguintes itens:
Proteção de estruturas antrópicas (prover sedimento, barreira física ou vegetação resistente);
Prover subsistência para populações locais (alimento, combustível, material medicinal);
Valor de mercado para economias tradicionais e industriais (residências, resorts, minas);
Oferecer locais para recreação ativa;
Oportunidades estéticas, psicológicas, terapêuticas;
Filtragem de poluentes;
Fonte de água no solo (em dunas);
Desnitrificação;
Nicho ecológico para plantas adaptadas a condições extremas;
Substrato habitável para invertebrados;
Áreas de refúgio (por ex., invertebrados de praia, mamíferos nas dunas)
Áreas para ninhos ou incubação (por ex., tartarugas, caranguejos-ferradura e diversos tipos de peixes)
Alimento para consumidores primários (por ex., invertebrados de praia)
Alimento para níveis tróficos mais elevados (carnívoros e predadores)
Sequestro de carbono
Redução da concentração de gases do efeito estufa;
Prover os benefícios sinergéticos de múltiplos tipos de hábitat (por ex., corredores)
Valor intrínseco.

Valores, bens e serviços fornecidos por perfis, hábitats ou espécies costeiras (Fonte: Recuperação de praias e dunas. Todos os direitos reservados à Oficina de Textos)

Por outro lado, praias e dunas podem ter usos múltiplos, tais como proteger propriedades dos problemas costeiros e prover locais de reprodução, substratos habitáveis e áreas de refúgio para a vida silvestre, contanto que a utilização humana seja controlada por meio de regulamentos compatíveis.

Nem todos os usos que se aproveitam dos bens e serviços fornecidos por praias e dunas devem ser alvo de esforços práticos de restauração. Faz pouco sentido restaurar minérios num perfil apenas para reminerá‑los novamente.

A oferta de novas fontes combustíveis para uma economia de subsistência pode ser resolvida de forma mais eficiente do que tentar favorecer a acumulação de madeira numa praia restaurada ou ainda o plantio de árvores numa duna. Nesses casos, os esforços de restauração podem não exigir sustentar o uso humano, mas serem necessários para recriar micro‑hábitats perdidos durante a exploração anterior.

Os componentes de ecossistemas não devem ser vistos como metas intercambiáveis que podem ser usadas e recriadas de modo a adequar‑se às necessidades humanas.

Para saber mais

Para entender mais sobre o assunto, não deixe de ler o livro Recuperação de praias e dunas. Este livro destaca o papel das dunas na proteção de regiões costeiras e como mantê-las ou recuperá-las, com reflexos positivos tanto para a conservação ambiental como para a preservação de patrimônios.

Seja pela aceitação de ambientes mais dinâmicos pelos residentes e governos em vez de paisagens turísticas estáticas e artificiais, seja pela manutenção de vegetação nativa em praias e residências litorâneas em vez de espécies exóticas, é um livro referência para múltiplos profissionais, administradores públicos e estudantes.

Capa de Recuperação de praias e dunas.